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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2018





Encontro de Química Verde aborda economia de MS e desafios na valorização da biomassa



07 de Novembro de 2018 - 12:20           principal  |  imprimir - Enviar Materia

 

 
 

No 2º e último dia do 8º Encontro da Escola Brasileira de Química Verde, realizado no ISI Biomassa (Instituto Senai de Inovação em Biomassa), em Três Lagoas (MS), o diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo, destacou a oportunidade em sediar o evento, promovido pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, e fez uma breve apresentação sobre a economia do Estado.

 

“Temos muitas oportunidades aqui em Mato Grosso do Sul e é por isso que o ISI Biomassa está estrategicamente localizado em Três Lagoas, a capital mundial da celulose. A nossa economia está muito atrelada à área do agronegócio, que nos mantém sustentável, mas também nos prejudica um pouco com relação às indústrias. Apesar da crise vemos nosso PIB crescendo, que representa 1,4 do PIB brasileiro”, comentou Rodolpho Mangialardo, acrescentando que o Estado é o 5º mais competitivo do País, com a menor taxa de ocupação.

 

Com relação ao Senai, ele reforçou que é a maior instituição de ensino profissional da América Latina e que hoje, no País, são 25 institutos de inovação que atuam para o desenvolvimento de novos produtos e processos para melhorar a competitividade da indústria brasileira. “Além disso, o Sistema Fiems tem atuado fortemente para difundir novas tecnologias e temos, também, o Sesi, que conta com escolas de educação básica, preparando nossos jovens para o futuro. Então basicamente oferecemos uma educação de forma articulada e soluções para as empresas de forma integrada”, completou.

 

Conferência

 

Com a conferência plenária “Pontencial da Lignina Kraft como Matéria-Prima para Produtos Renováveis”, a consultora de prospecção tecnológica da Suzano, Maria Teresa Borges Pimenta, explicou aos presentes o que é a lignina e suas funcionalidades. “Na biomassa vegetal, temos entre as classes a biomassa lignocelulósica que são as árvores, as gramíneas e dentro dessa classe de lignocelulósicos, o que constitui essas células vegetais ou essas plantas são os três componentes majoritários: celulose, lignina e hemicelulose”, detalhou.

 

Conforme a consultora, em um processo de separação das frações, a lignina hoje é queimada para gerar coenergia para a planta, entretanto, a Suzano desenvolve uma startup da primeira planta industrial de lignina. “A lignina também é uma macromolécula vegetal rica em carbono, hidrogênio e oxigênio. A nossa intenção é hoje dar uma aplicação mais nobre do que simplesmente queimar. Nosso produto é o Ecolig, que é a lignina da Suzano, mas a partir daí teremos vários outros produtos que são ligninas modificadas de diferentes formas para aplicações em diferentes mercados, como termoplásticos, borracha, concreto e em resinas fenólicas”, pontuou.

 

Mesa redonda

 

Abrindo as discussões da mesa redonda “Desafios e Tendências na Valorização da Biomassa em Correntes Industriais”, o gerente de pesquisa e tecnologia para a América Latina da Croda, Emerson Dallan, apresentou o projeto da empresa relacionado com o aproveitamento de produtos que existem no bagaço da cana.

 

“Quando você processa a cana para produzir açúcar e álcool, a gente tem um resíduo de filtração, uma massa e ali temos alguns componentes que nos interessam. Esse projeto abordou na verdade a recuperação da cera de cana contida no resíduo de filtração do processo de esmagamento da cana”, explicou Emerson Dallan.

 

Ele ressaltou que a cera de cana é um material quimicamente bastante interessante para a indústria de tensoativos e sulfactantes, ou seja, componentes que entram na formulação de produtos acabados para dar alguma característica. “Nesse projeto em específico, a cera de cana é utilizada num agente condicionante para condicionador de cabelo. Então a partir da cana, conseguimos produtos para cabelo”, acrescentou.

 

O empresário Leonardo Zambotti Vilella, da Bioativos Naturais, destacou que a empresa busca ser uma refinaria 360 graus com aproveitamento integral das biomassas que trabalha, desde resíduos agroindustriais até produtos in natura. “Conseguimos produzir óleos, produtos ativos e outros utilizando a tecnologia de extração supercrítica, que é uma tecnologia que não usa solventes orgânicos”, comentou.

 

O material utilizado é o dióxido de carbono, que costuma ser criticado por ter efeitos negativos. “Mas quando sob uma determinada pressão e temperatura, ele consegue extrair vários produtos de alto valor agregado que podem ser utilizados na indústria farmacêutica, indústria de alimentos, indústria química. Aproveitamos tudo, tudo vira um novo produto e temos rejeito zero”, justificou.

 

Em seguida, foi a vez do gerente de operações da Eldorado, Antonio José de Souza, realizar uma breve apresentação do projeto de construção de uma termelétrica para a produção de 50 megawatts de energia utilizando tocos de eucalipto. “Vamos colher eucalipto, fazer a celulose da árvore e pegar o toco, processar, produzir biomassa e energia elétrica”, afirmou.

 

A operação deve começar em 2020 e neste momento a empresa está fazendo experimentos e testes operacionais. “Acho fundamental termos um momento como este para compartilhar conhecimento, porque a área da biomassa ainda é um assunto relativamente novo no País e ainda não valorizamos tanto a biomassa, especialmente o toco do eucalipto. Ninguém utiliza o toco, que pode atrapalhar outras operações e agora será utilizado para produção de energia”, reforçou.

 

Finalizando as discussões, o professor de Engenharia Química e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biocombustíveis da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), Ricardo Soares, destacou que a biomassa hoje é o novo petróleo ou o petróleo ecológico. “O Brasil tem uma área enorme e produz muita biomassa. Temos uma biomassa enorme e temos atividades de cultivo, plantações, mas também temos excesso de resíduo e aí entra nosso lixo orgânico como parte de biomassa. Então temos um potencial muito grande e nosso desafio é trabalhar os resíduos em produtos de valor agregado”, reforçou.

 

Ele defendeu o uso da biomassa para a produção de novos produtos, muitos deles produzidos a partir do petróleo. “Temos a biomassa fazendo parte de uma matriz energética significativa em substituição ao petróleo. Vemos uma tendência da indústria florestal, da indústria de açúcar e álcool, da indústria óleo-química, produzindo biodiesel. Há uma infinidade de atividades agrícolas que você pode pensar em inserir essas novas de tendências de conversão da biomassa em produtos de valor agregado”, finalizou.

 











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